quinta-feira, 24 de março de 2016

“Que culto é esse vosso? Uma reflexão sobre a Páscoa


A pergunta acima foi antecipada por Yaveh quando disse a Moisés que os filhos de Israel assim se comportariam no futuro ao ver a celebração da Páscoa, instituindo assim este memorial entre o povo de Deus.


E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este vosso? Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou. (Êxodo 12:26,27)



Na primeira Páscoa os israelitas imolaram o cordeiro pascal, perfeito, untaram seu sangue nos umbrais das portas de suas casas, e, depois, assaram o cordeiro e dele comeram a cabeça, os pés e a fissura com ervas amargosas.

Assim, a reflexão aqui é sobre alguns aspectos importantes para nós olharmos para “além da marca”, ou seja, primeiro para dentro da casa, a fim de sabermos que também temos a nossa participação no projeto de Deus para seus filhos.

1) A cabeça do cordeiro:
fala-nos de ter a mente Cristo, renovada, transformada, voltada para coisas do alto, é ter Deus em primeiro lugar em nossas vidas. Remete a pensar, refletir, buscar, agir e tomar parte do eterno projeto e proposito de Deus para a vida do homem em detrimento das coisas deste mundo passageiro e vil.

Uma mente transformada reflete num coração que ama, que não arde em ciúmes, que não se ufana com a injustiça e com a inverdade, que não busca apenas seus próprios interesses.

Uma mente transformada reflete numa boca abençoada, cujo lábios não destilam o mal e cujas palavras são temperadas, promovendo a edificação do que ouvem, pois, como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo, diz Provérbios 25:11.

Uma mente transformada reflete um olhar de misericórdia e não de julgamento, critica destrutiva e condenação. Como Cristo o fez quando olhou a multidão e teve compaixão dela, pois andavam como ovelhas sem pastor, q
uando perdoou a pecadora que já estava condenada pela Lei e seus algozes, quando compreendeu a dor da viúva de Naim e disse: Mulher, não chores, para depois chorar a morte de seu amigo Lazaro, mesmo sabendo que pelo seu poder ia ressuscitá-lo. Sabes o por que?

Porque só em olhos de misericórdia derrama-se lagrimas de verdadeira compaixão. Daí, a dor se transforma em forças ou fé para se identificar ou fazer algo para amenizar o sofrer do outro.

2) Pés dos cordeiros: Lembra-nos do caminhar cristão, do seguir as pisadas do Mestre e cumprir a recomendação joanina: Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou (I Jo 2:6). E disse Pedro, que andou com Ele: andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. (Atos 10:38)

É calçar as sandálias da preparação do evangelho da paz, não só na perspectiva da batalha espiritual contra Satanás e suas hostes infernais, que nos é uma necessidade urgente. Acima de tudo é um convite a um caminhar sereno de imitação do modelo infalível: JESUS. 

Só assim poderemos dizer como Paulo: Sede meus imitadores como eu sou de Cristo, ou como o monge medieval Francisco de Assis: Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz... pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.

É um desafio a nos todos na busca do melhor, e o melhor é a vontade de Deus para nossas vidas, vontade esta explicitada nas paginas da Bíblia. Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6)

Não uma busca insana do melhor para ser o melhor, para se mostrar o melhor, para parecer o melhor, apenas procurar “ser melhor para ser menor”, assim fez João Batista, quando disse: Importa que Ele cresça e eu diminua.

Não a busca do melhor pelos homens, pois estes são insaciáveis em suas regras, confusos nos seus discursos e incoerentes em suas práticas. Nem tão pouco pelas Instituições, denominações, credos mutáveis, tabus sagrados, usos e costumes descontextualizados ou tradicionalismo ultrapassado, mas a busca do melhor pela Palavra viva e eficaz, pelo amor do Pai que nos ama incondicionalmente e pela graça do Cristo redivivo que atentou para nossa baixeza, fazendo-se semelhante a nós, mas hoje, exaltado a destra do Pai, intercede por nós.

Só assim a busca do melhor não se torna pior. Não cria fariseus, não multiplica os hipócritas e não institui os “tribunais sagrados”. Nesta busca contamos com o Espirito Santo, não estamos sozinhos. Aleluia!


3) Fissura de Cordeiro: era para relembrar a amargura da escravidão e agradecer a Deus pela libertação.

Há aqui o aspecto social, pois os israelitas ao entrarem em sua terra deveriam lembrar que foram escravos e estrangeiros e assim deveriam evitar fazer seus irmãos escravos e tratar bem o estrangeiros, desterrados e peregrinos entre eles. 

A nós fala o aspecto espiritual desta lição, que remete talvez ao mais difícil aspecto da “mutualidade cristã”, na qual a expressão “uns aos outros” foi enfaticamente aplicada ao perdão. Ou seja perdoai-vos uns aos outros, assim com Deus em Cristo vos perdoou.

O perdão é uma questão de sobrevivência para qualquer um que se proponha a viver em família, igreja, comunidade etc, pois como ser gregário, não pode viver isolado. Mais que uma questão de sobrevivência, o perdão pode dar qualidade a vivência em grupo, família e sociedade, bem como fortalecer os laços de pessoas que partilham um mesmo teto, ambiente, ou tem a necessidade de convivência. Eis o nosso maior desafio: Perdoar!

Agora vamos para fora da casa para dar continuidade ao sentido da Páscoa, digo continuidade, pois a maioria das reflexões neste dias lança luz sobre o significado do “Sangue nos Umbrais” e esquecem a prática que deveriam observar dentro do lar de cada israelita.

Páscoa (Pesah) – Significa passagem, pular a marca, passar por cima, poupar.


Eis ai alguns significados da palavra pascoa. É claro que isto nos faz olhar direto para cruz, para Cristo, para seu sangue derramado por nós no Calvário, pois Cristo a nossa páscoa já foi sacrificado por nós. Daí olhar primeiro para dentro da casa e enfatizar a significância das nossas atitudes, motivações e responsabilidades para agora, por último, olhar com gratidão para algo que somente Deus pode fazer pelo homem: Salva-lo da sua própria condenação.

Se Páscoa é “passagem” porque o anjo da morte passou sobre a terra do Egito e foi uma noite de terror e morte para estes, tematiza também a passagem do Povo de Deus da escravidão para a liberdade. Assim também em Cristo passamos da morte para vida.

Se Pascoa é “pular além da marca”, é “passar por cima”, é “poupar”, pois o anjo da morte pulava as casas que tinham a marca do sangue do cordeiro nos umbrais das portas, e, assim, passava por cima e as vidas dos israelitas foram poupadas, assim também fomos comprados pelo precioso sangue de Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1:9), somos dEle, e a nossa vida está em Cristo escondida. Glórias a Deus!

Fomos poupados, mas para isto alguém teve que morrer em nosso lugar. Eis aqui a glória, a profundidade e a alegria de um dos mais importantes aspectos da Obra de Cristo: A Substituição. Ele não só morreu, Ele morreu em meu lugar e em seu lugar! 

Mas Deus prova o seu amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores
. (Romanos 5:8)

Pulamos para uma eternidade inalcançável pelos méritos humanos, pois somente a fé, e nada mais além da fé no sacrifício de Cristo nos faz dignos de viver a eternidade ao lado do Pai.

E por fim, na completude da Obra de Cristo, Páscoa para nós cristãos fala de ressurreição, pois Jesus ressuscitou num domingo da semana em que os judeus comemoravam a Páscoa. 

Se pela sua morte temos o perdão imerecido que nos trouxe de volta para Deus, pela sua ressurreição temos a certeza de uma vida de vitória e a esperança que Ele voltará para nos levar para Ele mesmo.

A ressurreição de Cristo é que dá poder a mensagem do evangelho, pois sem ela é vã a nossa fé. Mais ainda, porque Ele ressuscitou os mortos em Cristo também hão de ressuscitar em glõria.

Disse o anjo às mulheres: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. (Lucas 24:5-6)

O túmulo está vazio para que o nosso coração esteja sempre cheio e repleto da sua presença, amor, graça, bondade e misericórdia.

Ótimo domingo de Páscoa e uma semana abençoada a todos!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

FÉ REFORMADA OU VIDA TRANSFORMADA?

Parte superior do formulário
No dia 31 de outubro comemoramos a Dia da Reforma Protestante. Assim, de forma simples e direta, deixo minha reflexão a respeito deste importante acontecimento e como hoje estamos enquanto Igreja.

Em julho de 1415 um homem era queimado na fogueira romana acusado de heresia. John Huss era seu nome, significava ganso na língua boêmia. Não negou a sua fé, e, ao morrer
 deixou uma ultima palavra: “Hoje vocês matam um ganso, mas daqui a 100 anos Deus levantará um cisne que vocês não conseguirão matar”. 

Exatamente 102 anos depois Martinho Lutero fixou as 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, Alemanha, no dia 31 de outubro de 1517. Era o cisne de Deus e ninguém conseguiu lançar mão da sua vida. Assim nasceu a REFORMA PROTESTANTE que deixaria marcas indeléveis na historia do Cristianismo e da Humanidade, dividindo a Europa e mudando a Historia. 

Embora tenhamos que considerar os aspectos políticos e econômicos que cooperaram para o desfecho deste movimento, não podemos invalidar a maior questão que levou o corajoso monge a romper com a Igreja Católica: A Teológica, explicada em três pontos principais, a saber:

1º. A Salvação é pela fé, mediante a graça, e não pelas obras.

2º. O sacerdócio dos crentes é universal, não local, sem intermediários, ou seja, entre Deus e os homens só Cristo, ninguém mais.

3º. A Bíblia é inerrante e infalível, única regra de fé e conduta, isto invalida tradições, bulas e outros escritos e dogmas institucionais. Como escreveu o próprio Lutero: “A Bíblia não é antiga, nem moderna, ela é eterna”.

Hoje precisamos de outra “reforma” a fim de que a Igreja resgate o seu papel fundamental de Luz do Mundo e Sal da Terra, pois iluminar e salgar é a nossa missão. É preciso ter em vista que no exercício da nossa fé e pratica precisamos ter respostas às necessidades humanas, e isto a partir da compreensão de quem somos em Cristo e para que fomos criados e chamados.

Precisamos de uma reforma que resgate do valor da pregação do evangelho que transforma e não barganha. É necessário descartar este “evangelho romanizado” que nos faz chegar a Cristo pela fé, mas que depois nos empurra para conservação da fé pelas obras, barganhas e uma “pseudo-espiritualidade” que mais cria fariseus e hipócritas em nosso meio, quando não, leva alguns dos pequeninos a uma paranóia por não alcançarem um “certo nível” de santidade ou espiritualidade.

Precisamos de uma reforma que lute pela conservação do ensino bíblico na perspectiva da vida eterna. É preciso manter os pés na terra sim, mas a mente nos céus, “buscar as coisas do alto”, o reino de Deus e a sua justiça. É preciso continuar crendo, pregando que o Cristo ressurreto voltará. “Maranata. Ora vem Senhor Jesus”.

Precisamos de uma reforma que defenda a promoção de uma nova ética de vida com impacto familiar, social, político e econômico. A igreja precisa ser igreja, comunidade, “eclésia”. Sair do seu casulo, ganhar as ruas sim, ser tanto impactante quanto relevante. A igreja meus caros é “universal”, ela não tem cor, sexo, idade, raça, condição econômica ou social, alias, a IGREJA não tem nome, apenas Igreja. 

A igreja precisa ser profética sim, mas também participativa, senão nos resumiremos apenas a meros críticos infrutíferos, e disto o mundo está cheio e enfadado. Não apenas propor mudanças, mas fazer parte delas. Disse o Mestre da Galiléia: “O que quereis que os homens vos façam, fazeis vós também”.

Mais do que uma fé reformada, precisamos de vida transformada. Mais do que combater as heresias de fora, precisamos abandonar as fantasias de dentro. Eis o nosso desafio, mas não estamos sozinhos, ainda há esperança!


Sola fide (somente a fé); 
Sola scriptura (somente a Escritura); 
Solus Christus (somente Cristo); 
Sola gratia (somente a graça);
Soli Deo gloria (glória somente a Deus).


sexta-feira, 11 de abril de 2014

HOLOCAUSTO, NUNCA MAIS!

Dia 9 de abril - Dia Municipal da Lembrança em Piracicaba/SP 
                         (em homenagem as vitimas do Holocausto)

                    
No Livro do profeta Jeremias capitulo 31:15 a 17, lemos:

"Assim diz o Senhor: "Ouve-se uma voz em Ramá, pranto e amargo choro; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem".

Assim diz o Senhor: "Contenha o seu choro e as suas lágrimas, pois o seu sofrimento será recompensado", declara o Senhor. "Eles voltarão da terra do inimigo.

Por isso há esperança para o seu futuro", declara o Senhor. "Seus filhos voltarão para a sua pátria." 

Quando o Herodes, o Indumeu (descendente de Edom/Esau) ordenou a matança de todas as crianças de dois anos para baixo para que Jesus nao escapasse, esta passagem bíblica foi lembrada. Raquel, tipificando a Nacao Judaica, chorou desconsoladamente. 

Quando o General Romano Tito, invadiu Jerusalem em 70dC, e diante da ressistencia judaica transformou as ruas da cidade em um "mar de sangue", falto registrado por Flavio Josefo, esta passagem também pode ser aplicada.

Depois 700 anos de convivência pacifica entre os povos Mouros, os judeus foram expulsos da Península Iberica, região da atual Espanha, pelo reis católicos Isabel e Fernando em 1492, que ao explusarem os Mouros perseguem tambem os judeus, separando famílias, esposo de esposas, pais de filhos, inclusive muitos dele migraram para Portugal. Raquel chorou pelos seus filhos.

Mas nada, nada mesmo se comparou ao Holocausto, cujo objetivo não se fundamentava na luta pelo sobrevivência de um povo em detrimento de outro, nem na busca de um direito perdido, nem na aspiração pela justiça. Mas em nome da intolerância e da ganância pelo poder, justificou-se a limpeza étnica e o extermínio de um povo: os judeus.

Foram mais de seis milhões de judeus, um milhão e meio de crianças, aniquilados das formas mais cruéis e impensada a uma mente humana sadia. Somado aos negros, Testemunhas de Jeova, eslavos, russos, homossexuais, deficientes físicos e mentais (para nos, portadores de necessidades especiais), povos ciganos, este números ultrapassa a onze milhões de seres humanos, pessoas. Milhões se vidas, famílias, sonhos e projetos foram abortados e arrasados.

O Holocausto não pode negado, não deve ser esquecido e jamais justificado!

Alguns governos autoritários, ditatoriais e fundamentalistas, querem assim fazer, mas a ONU - Organização das Nações Unidas - ja declarou crime este tipo de comportamento e a legislação brasileira tambem e bem rigorosa quanto a propagação de quaisquer movimentos ideias neonazistas e facistas, inclusive pelas redes sociais.

Ate alguns "teólogos" pseudo-cristãos advogam esta barbárie, `a margem do exemplo do próprio Cristo, que deu sua vida em favor de todos, ensinando-nos a amar, inclusive os nossos inimigos.

Aqui, cabe a reflexão de Padre Antonio Vieira (século XVII) sobre a "parábola do bom samaritano", quando escreveu que os personagens representam três filosofias de vida que podemos ou não adotar.

O ladrão e salteador, representa a natureza humana na sua expressão de maldade, crueldade, dizendo "o que é seu é meu", e eu arranco como puder de voce, não importa a dor, o mal e as conseqüências que lhe cause. Isto fez Hitler e seus colaboradores em toda Europa.

O sacerdote e o levita que passou de largo, representa a natureza humana na sua expressão de indiferença, religiosidade barata, dizendo "o que é seu é seu, o que é meu é meu", ou seja, descaso, apatia, com o sofrer alheio, pois se algo não me atinge, para que se envolver, cada um com seus problemas. Isto fez muitos governos da época e inclusive a Igreja (católica e protestante), silenciando-se, ate perceber que o mal atingiria a todos.

O Bom Samaritano, representa a natureza humana na sua expressão de bondade, amor e misericórdia, dizendo "o que é meu é seu", ou seja, se posso ajudar, estender a mão, estou pronto a fazê-lo.

Caros amigos, alem do Holocausto outras barbáries se seguiram não muito longe dos nossos dias. Milhões foram mortos pelo governo de Stalin na antiga União Soviética, o genocídio de Ruanda matou mais de dez milhões de inocentes, na Africa, alem dos massacres nos Bálcãs, na Síria, entre outros. Isto não pode ser esquecido.

Esquecer-se é concordar de forma silenciosa com a negação. Negar uma atrocidade desta natureza é chancelar `a humanidade, a nos mesmo, o "direito macabro' da repetição. Nada justifica a barbárie, atrocidade, violência, preconceito, perseguição, intolerância de qualquer natureza.

Que Raquel (Israel) continue chorando pelos seus filhos, pois só Deus pode consola-la. Nós porem, temos o dever de divulgar, ensinar nossos filhos e netos, passar as gerações presente e futura, que não aceitem qualquer ensino, sugestão e movimento que defendam ideias naziofacistas e fundamentalistas.

Faça a sua parte.


HOLOCAUSTO, NUNCA MAIS!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Precisamos de uma "Reforma"

Hoje dia 31 de outubro comemoramos a Dia da Reforma Protestante. Assim, de forma simples e direta, deixo minha reflexão a respeito deste importante acontecimento e como hoje estamos enquanto igreja.

Em julho de 1415 um homem era queimado na fogueira romana acusado de heresia. John Huss era seu nome, significava ganso na língua boêmia. Não negou a sua fé, e, ao morrer deixou uma ultima palavra: “Hoje vocês matam um ganso, mas daqui a 100 anos Deus levantará um cisne que vocês não conseguirão matar”. 

Exatamente 102 anos depois Martinho Lutero fixou as 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, Alemanha, no dia 31 de outubro de 1517. Era o cisne de Deus e ninguém conseguiu lançar mão da sua vida. Assim nasceu a REFORMA PROTESTANTE que deixaria marcas indeléveis na historia do Cristianismo e da Humanidade, dividindo a Europa e mudando a Historia. 

Embora tenhamos que considerar os aspectos políticos e econômicos que cooperaram para o desfecho deste movimento, não podemos invalidar a maior questão que levou o corajoso monge a romper com a Igreja Católica: A Teológica, explicada em 3 pontos principais: 

1)A Salvação é pela fé mediante a graça e não pelas obras.
2)O sacerdócio dos crentes é universal, não local, sem intermediários, ou seja, entre Deus e os homens só Cristo, ninguém mais.
3)A Bíblia é a única regra de fé e conduta, isto invalida tradições, bulas e outros escritos e dogmas institucionais.

Hoje precisamos ainda de uma outra “reforma” a fim de que a Igreja resgaste seu papel fundamental de Luz do Mundo e Sal da Terra, pois iluminar e salgar é a nossa missão. É preciso ter em vista que no exercício da nossa fé e pratica precisamos ter respostas às necessidades humanas, e isto a partir da compreensão de quem somos e para que fomos criados e chamados.

Precisamos de uma reforma que resgate do valor da pregação do evangelho que transforma e não barganha. É necessário descartar este “evangelho romanizado” que nos faz chegar a Cristo pela fé, mas que depois nos empurra para conservação da fé pelas obras, barganhas e uma “pseudo-espiritualidade” que mais cria fariseus e hipócritas em nosso meio, quando não, leva alguns dos pequeninos a uma paranoia por não alcançarem um certo nível de santidade ou espiritualidade.

Precisamos de uma reforma que lute pela conservação do ensino bíblico na perspectiva da vida eterna. É preciso manter os pés na terra sim, mas a mente nos céus, “buscar as coisas do alto”, o reino de Deus e a sua justiça. É preciso continuar crendo, pregando que o Cristo ressurreto voltará. “Maranata. Ora vem Senhor Jesus”.

Precisamos de uma reforma que defenda a promoção de uma nova ética de vida com impacto familiar, social e econômico. 
A igreja precisa ser igreja, comunidade, “eclésia”. Sair do seu casulo, ganhar as ruas sim, ser tanto impactante quanto relevante. A igreja meus caros é “universal”, ela não tem cor, sexo, idade, raça, condição econômica ou social, alias, a IGREJA não tem nome, apenas Igreja. 

A igreja precisa ser profética sim, mas também participativa, senão nos resumiremos apenas a meros críticos infrutíferos, e disto o mundo está cheio e enfadado. Não apenas propor mudanças, mas fazer parte delas. Disse o Mestre da Galileia: “O que quereis que os homens vos façam, fazeis vós também”.

Sola fide (somente a fé); 
Sola scriptura (somente a Escritura); 
Solus Christus (somente Cristo); 
Sola gratia (somente a graça); 
Soli Deo gloria (glória somente a Deus).

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Evangelizar ou Cristianizar? Eis a questão.

Quando falamos em "Missão ou Missões" não podemos nos portar como donos da verdade e nem nadar em tábua rasa. Não devemos confundir obra missionária com expansão ministerial, pois este tem sido uns dos maiores entraves (se não for o maior) do progresso desta sublime missão da igreja: a evangelização do mundo.

Primeiro devemos entender que expansão ministerial e/ou denominacional nem sempre é possível através da obra missionária, e que este não deve ser o foco principal de quem ama e se predispõe a fazer ou a ajudar esta obra. Se a placa da "minha igreja, ministério, denominação" vai aparecer, não é o alvo prioritário. Se for possível nada tem de errado.

Porém se amo missões, oro por todos os missionários e ajudo aqueles que sei que fazem um trabalho serio, melhor ainda se for enviado, ligado ou sustentado pela igreja que pertenço ou a uma convenção ou agencia missionária que realmente conheça. Devemos evitar investir em aventuras missionarias e desperdiçar recursos tão preciosos que farão falta a quem realmente necessita.

Segundo, é preciso saber que a nossa missão é EVANGELIZAR O MUNDO, NÃO SALVA-LO. Salvar e convencer os homens é obra do Espirito Santo, daí não podermos associar Missões com dados numéricos e resultados financeiros. Nos fazemos a nossa parte, o resultado pertence a Deus, aprendi isto com Billy Grahm e Osvald Shimith. Cobrar um missionário como se ele tivesse que produzir almas para Cristo é fruto de um profundo desconhecimento do caráter sublime da Obra Missionária. As vezes se trabalha anos a fio para só no céu sabermos os resultados, ou se ganha poucas almas que mais tarde farão a diferença em seu próprio país.

Terceiro, Evangelizar sim, Cristianizar não. Isto já fez o Catolicismo com os Povos chamados Bárbaros na Idade Media e na America com os povos indígenas pós seculo 16. Também os Protestantes Europeus cometeram o mesmo erro na Africa e Asia nos seculos 19 e 20, resultando numa China e numa Índia que é um imenso desafio missionário e num Continente Africano que tendeu ao Islamismo como forma de se ver livre não da Evangelização, mas de uma Cristianização que impunha a sua cultura e os explorava pelo Capitalismo; que sugaram e roubaram muito mais que o solo africano, quase destruíram a sua identidade.

E aí o que deixaram para nós? Nada, quer dizer nada de bom, mas muito ódio de nações que eram abertas ao evangelho e hoje são fechadas as missões cristãs. Digo isto, consciente de que parte de qualquer cultura sofre impacto quando alguém tem um encontro com Cristo, principalmente aquela parte da cultura que está malignizada e corrompida, porém, isto está num plano individual. Jesus não veio mudar o sistema, mas mudar o homem, para que o homem transformado faça a diferença dentro do sistema.

Deixo aqui esta simples reflexão para que deixemos a nossa vaidade e arrogância pessoal, as picuinhas e brigas denominacionais e com humildade nos voltemos para aquilo que é maior a tarefa da Igreja, sua mais sublime missão: A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS.

"Quando a igreja faz missões ela justifica a sua existência"

Que o Senhor da Seara nos ajude. Abraços e ótima semana a todos.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quando os fundamentos estão sendo destruídos, que pode fazer o justo?

Nestes últimos dias nos pareceu pesado por demais as noticias que “bombaram” na internet, ganharam manchetes nos jornais e noticiários do nosso país e a partir disto, como já se era esperado, houve uma enxurrada de opiniões, posicionamentos e criticas que vão desde uma simples reprovação moral, espiritual e teológica, até a manifestação mais cruel do ser humano quando deseja que o outro inexista pelo simples fato de ser, pensar ou agir diferente.

Enfim, foram os Mensaleiros e os embargos infringentes que acatados pelo STF indignaram o País abrindo um precedente vergonhoso e perigoso para o sistema judiciário brasileiro, o Beijo Gay de duas jovens lésbicas durante um evento evangélico que revoltaram a comunidade evangélica pelo flagrante desrespeito a fé cristã, a jovem evangélica que pousou nua na revista Play Boy “chocando” quem soube do fato e as brigas de pastores por poder, posição, espaços na mídia que tornaram a internet um rinque de disputas de fiéis escudeiros, simpatizantes e até gente bem paga, entre as quais pastores que tendo um bom nome e uma historia ilibada deveriam estar muito aquém disto, mas, já vivemos numa democracia, cada um faz, fala e escreve o que quer e depois responde pelos seus atos, antes isto, do que a ditadura que nos tira a liberdade de expressão, ainda que isto exista em muitos lugares, principalmente nos que se dizem sagrados.

Os Embargos Infringentes. 

Não estou de luto pelos Embargos Infringentes terem sido acatados pelo STF, uma vez que a minha vida, fé, esperança e senso de justiça não dependem deste Sistema que esta “malignizado”, “satanizado”, corrompido, sendo corrupto, corruptor e cooptador em toda a sua esfera de ação e representação. Estou sim, decepcionado com a Alta Corte do nosso Brasil.  

O que me envergonhou mesmo foi o silencio da Bancada Evangélica na Câmara dos Deputados que nada fizeram, seguido pelos Deputados Estaduais Evangélicos nas Assembleias Legislativas pelos Estados e pelos Vereadores Evangélicos nos Municípios. Perdoem-me os parcos “heróis” que se manifestaram.

O que me envergonhou mesmo foi a falta de posicionamento dos lideres maiores da minha denominação, as Assembleias de Deus, a maior denominação pentecostal do mundo, seguido de outros lideres que representam Convenção e Conselhos Nacionais, teleevangelistas, cantores gospel, pregadores da mídia, que na TV e entre as quatro paredes da igreja gritam e esbravejam, mas na hora do “vamos ver” tem que ficar quietos porque também estão comprometidos como este Sistema seja pelo poder ou dinheiro.

Porque será que estes lideres, pastores, cantores, show men não apoiam nossa irmã em Cristo Marina Silva na criação de um novo partido e sua corrida para ser a próxima Presidente da Republica?

Será que ainda não entendemos que embora o nível de corrupção que estamos vivenciando é sim sem precedentes na historia, o problema não se resume a uma sigla, PT?

Digo isto, pois na base de sustentação deste governo que raivosamente muitos evangélicos querem tirar pode estar o deputado e o senador que você votou na ultima eleição, seja ele evangélico ou não. Assim, se o PT tem que sair fora quem lhe deu sustentação também. Na hora de votar, renove, dê oportunidade a alguém que ao menos tentará fazer a diferença.

Outrossim, corrupção existe e existirá em todos os governos seja PT, PSDB, PSD, PSC, etc, a tratativa com relação a ela é que pode diferenciar um partido do outro, mas até agora neste quesito estão todos igualados. O problema está no homem, no seu coração perverso, avarento, ganancioso e a isto só o evangelho de Cristo tem a resposta: Transformação.

O Beijo Gay num evento evangélico

Quanto ao beijo gay durante um evento evangélico realmente foi uma afronta a fé cristã-evangelica e um desrespeito ao culto. Embora o caso em tela seja um extremo inaceitável, precisamos refletir que outras atitudes também se configura desrespeito na igreja tanto durante o culto como nas suas dependências: beijo hétero de casal de namorados, atender celular, ficar na internet, conversas paralelas, fofocas, reuniões nos corredores, bate-papo na porta do templo, comércios em horário de culto, trajes inadequados e vulgares, ostentação, som demasiadamente alto, culto a personalidade, sem falar quando um culto é usado para um desvio de finalidade principalmente quando o objetivo é tirar dinheiro do povo. Vamos refletir!

A Jovem Evangélica que posou para a Play Boy

Bem, e a Evangélica que posou nua para a revista Play Boy? Realmente lamentável, e a reprovação não precisaria nem passar pela Bíblia, a própria reação da comunidade em si já diz o que pensamos disto. Mas aqui cabe duas reflexões. A primeira é que ninguém chega para uma revista e diz “vim tirar a roupa, quanto vocês pagam?” O caminho até chegar neste ponto passa por etapas que foram aceitas pela família e quem sabe até pela igreja, ou seja, as primeiras fotos para um comercial, a aceitação de ser uma modelo, atriz, o limite entre o etico-aceitavel e o mais rentável, etc. 

Segundo, e as outras profissões que são totalmente incompatíveis com a fé cristã? Vejo crentes vibrando e defendendo o UFC e outros esportes do gênero, mais ainda, conheço pessoalmente lutadores e não estou aqui para questionar a sua fé em Jesus, mas não venha dizer que chutar a cara do semelhante, desferir golpes que lhe tiraram sangue é algo digno de um cristão. Até tipos de trabalhos em indústrias, atividades comerciais, prestação de serviços, ainda que legais são sim no mínimo conflitantes para o cristão. Mas a gente vai dando um jeitinho, principalmente se o dizimo da pessoa representar uma boa soma e a presença de certas celebridades trouxer benefícios para aquele lugar.

E nós o que estamos fazendo?

Enquanto isto muitos de nós atiram pra todos os lados. Uns denunciam tudo se achando os profetas da atualidade, ou seja, querem apenas apontar o problema, denunciar a falha, o pecado, o erro, a corrupção, e isto é necessário sim, mas Deus precisa de pessoas que queiram tomar parte na solução destes problemas, vivendo como sal da terra e luz do mundo, amando as pessoas, procurando fazer a diferença a partir da sua casa, vizinhança, igreja, escola, trabalho, enfim, comunidade.

Outros ficam discutindo quem vai ser salvo? Se os calvinistas, arminiano, quando deveríamos ir atrás do necessitado a fim de revelar o amor de Deus em Cristo Jesus, que é a esperança de vivermos a vida eterna num reino de justiça e paz.

Outros ainda falam tanto de um mundo sem Deus, que o mundo está acreditando que existe um Deus que não está preocupado com eles. E quando pregam o evangelho o fazem destacando equivocadamente os aspectos da resignação que traz apenas peso, terror e medo ou do desfrute deste mundo que leva ao descompromisso com as questões eterna.

Na verdade o evangelho deve ser anunciado na perspectiva da transformação, isto levará as pessoas a uma experiência pessoal e transformadora em Cristo e com Cristo, tornando-as livres deste mundo e ao mesmo tempo comprometidas com as questões eternas.

O Salmo 11 (NVI) responde a pergunta que intitula este artigo:


“No Senhor me refugio. Como então vocês podem dizer-me: "Fuja como um pássaro para os montes"?
Vejam! Os ímpios preparam os seus arcos; colocam as flechas contra as cordas para das sombras as atirarem nos retos de coração.
Quando os fundamentos estão sendo destruídos, que pode fazer o justo?
O Senhor está no seu santo templo; o Senhor tem o seu trono nos céus. Seus olhos observam; seus olhos examinam os filhos dos homens.
O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia.
Sobre os ímpios ele fará chover brasas ardentes e enxofre incandescente; vento ressecante é o que terão.
Pois o Senhor é justo, e ama a justiça; os retos verão a sua face.”

sexta-feira, 21 de junho de 2013

PROTESTO: Indignação, consciência e sentido.

Muito se tem falado, noticiado e avaliado sobre os protestos que varreram o nosso querido Brasil nestes últimos dias, e na tônica das avaliações e reflexões também me aventurei a dar a minha opinião não apenas como pastor e líder, mas também como cristão-cidadão.

Percebo porem que incomodei alguns pastores e lideres quando na ultima postagem busquei refletir um pouco sobre o papel da igreja para alem das questões espirituais e eternas, buscando como agencia do Reino de Deus na terra ser promotora da paz e da justiça social, sem cooperar com as mazelas de um Sistema corrupto, corrompido e cooptador, muitas vezes apenas para manter o "Status Quo" de lideres gananciosos e avarentos que pastoreiam a "herança do Senhor" como se tivesse domínio sobre ela.

Assim, postulam os incautos dizendo que quem manda na igreja é o Espirito Santo e que quando ha uma liderança fraca todo mundo manda, mas na ponta dos protestos públicos incentivam os questionamento aos Governos, sem bem que depois das proporções que tomou os protestos o discurso mudou, e agora dizem que temos que apenas orar pela autoridades, pois todas as autoridades vem de Deus. Se isto é verdade, então Lula, Dilma, Hadad, Marta Suplicy, PT e CIA do Mensalão vieram de Deus?

Sera que estão com medo que suas praticas e ensinos sejam questionados por aqueles que compõe a membresia de "suas igrejas"? Digo suas,  porque agem com se fossem os verdadeiros donos delas, inclusive da alma do povo, pois podem tanto colocar no céu como manda-las ao inferno.

Outrossim, eu creio que quem dirige a Igreja do Senhor é o Espirito Santo, e o faz tanto diretamente na vida de cada crente, como através de lideres escolhidos por Deus para o exercício ministerial, porem, não confundo "igreja-organismo" com "igreja-organização".

Como organismo a ação do Espirito Santo é direta, guiando o corpo de Cristo em toda a verdade, consolando, convencendo, fortalecendo, distribuindo os dons, etc, mas como organização o mesmo Espirito Santo respeita as acoes humanas  e aqui vemos tantas mazelas, brigas por poder, posição e dinheiro, injustiças, ganancia, enriquecimento ilícito, ma administração dos recursos arrecadados, o "toma-la-da-cá" na época das eleições, o apoio a candidatos que tem uma conduta ética-moral contra os princípios bíblicos, o incetivo a boca de urna por menores de idade em pleno dia de eleição cometendo crime eleitoral, entre outros absurdos que prova que o Esprito Santo dirige a "Igreja de Deus" e não a "igreja dos homens", esta ultima muitas vezes  usada como massa de manobra politica e financeira, mas cada um dará conta de si a Deus, pois o seu Eterno Proposito sera estabelecido.

Quanto a participação de evangélicos em protesto, defendo sim, mas sempre de forma pacifica e ordeira, sem violência a pessoa humana ou depredações de bens públicos ou privados. Seria justo os "incrédulos" lutarem e todos serem beneficiados pelo resultado desta luta? Verdade é que nos cristão temos posturas diferentes e não devemos participar, concordar e nem incentivar nenhuma forma de violência e baderna, embora temos que saber avaliar para alem das imagens que vemos e das noticias que ouvimos, e analisarmos tudo dentro de uma conjuntura politica e histórica, e aqui quero elencar três pontos: Indignação, consciência e sentido.

Indignação: Esta palavra resume o sentimento de todo brasileiro quando vê as noticias sobre corrupção, roubalheira e impunidade, pois os corruptos manobram os poderes constituídos, quer seja pelas letras da lei quer seja pelo poder financeiro. Poderia falar aqui sobre o caos na saúde, transportes públicos, educação, alta carga tributaria, salario minimo ínfimo se comparado com a realidade e o incentivo ao consumo de um mercado interno. Sim, este protesto é o protesto dos indignados, e neste aspectos os manisfestantes representaram todos nos brasileiros.

Consciência: Este protesto nasceu de um povo que tomou consciência dos seus direitos, inclusive do direito de reclamar, protestar e se expressar diretamente, sem passar por representantes sejam os partidos ou os próprios políticos. Foi o protesto da crença e da descrença. Da crença porque acreditaram na forca do povo, ou seja, em si próprio, tomaram consciência do que é ser "um povo". Descrença porque sinalizaram aos políticos que já eles não representam mais os seus anseios e suas lutas, e aqui eu vejo sim um perigo a nossa democracia, pois nestes momentos de descredito costuma aparecer lideres carismáticos e "messiânicos", é só recordar Collor e Lula. Creio porem que o povo esta mais amadurecido e com o advento da internet o poder da mídia televisiva reduziu muito.

Sentido: Alem da indignação e da tomada de consciência, parte da multidão (eu disse parte) saíram para protestar porque acharam nisto um novo sentido do "viver-cidadão". Principalmente a nova geração, pois muitos vivem uma falta de sentido de ser, vazios, sem perspectivas, sem sonhos, lutando para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais exigente, criados por pais totalmente ausentes, vivendo num mundo "social-virtual" e impessoal, assim, parte para somar a multidão descontente, pois vê nisto uma oportunidade de ser útil, fazer algo que marque a sua vida, que melhore o seu pais e por fim construa a sua historia como alguém que tem algo para contar. Nasce aqui um sentido e um sentimento de pertencimento, ou seja, faco parte de algo.

Dai tentarem resgatar momentos históricos como s Diretas Ja em 1984 e o com o Impeachment de Collor em 1992, aliais, estive presente nos dois momentos. Esta geração que achar um sentido de "ser-cidadão", "ser-gente", escrever algo nas paginas da historia da nossa Nação.

Enfim, continuemos orando sim, mas vigiando também. Espero que o maior e o melhor resultado destas manifestações de hoje seja uma resposta inteligente nas urnas em 2014, deixando de fora candidatos que por ora reprovamos e dando oportunidade aqueles que pensam em uma nova forma de fazer politica neste pais.

"O SENHOR reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra." (Salmos 99:1)